Inflação sob pressão: emprego, fiscal e câmbio no radar

A divulgação da taxa de desocupação do trimestre encerrado em novembro, em 5,2%, o menor nível da série iniciada em 2025, reforça a leitura de que o mercado de trabalho brasileiro permanece extremamente aquecido, operando bem abaixo do que se costuma considerar seu nível neutro.

Estimativas recorrentes apontam que a taxa de desemprego compatível com estabilidade inflacionária no Brasil situa-se entre 7% e 8%. A permanência em níveis inferiores a esse intervalo tende, portanto, a gerar pressão inflacionária, sobretudo nos preços de serviços.

Nesse contexto, a pergunta central é inevitável: será viável manter a inflação dentro da meta com um mercado de trabalho tão apertado?

Além do mercado de trabalho, há um segundo vetor relevante. O atual governo demonstra uma orientação fiscal de caráter expansionista, com incentivo a maiores gastos públicos. Esse ambiente incentiva a correção dos preços devido a maior demanda, especialmente quando não acompanhado por ganhos de produtividade.

Temos, portanto, dois importantes vetores de pressão sobre os preços:
(i) um mercado de trabalho aquecido além do nível neutro;
(ii) uma política fiscal com viés expansionista.

Um terceiro elemento — que em 2025 atuou como fator de alívio — foi o câmbio, que apresentou valorização próxima de 10% ao longo do ano, contribuindo para conter parte das pressões inflacionárias. Para 2026 o câmbio seguirá exercendo esse papel benigno?

A resposta a essa pergunta será crucial para o debate sobre inflação, política monetária e, consequentemente, sobre o espaço real para cortes mais profundos na taxa de juros.

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